Argentina anunciou a redução dos impostos de exportação do trigo de 7,5%
para 5,5% a partir de junho • Trigo em São Paulo
A Argentina anunciou a redução dos impostos de exportação do trigo de 7,5% para 5,5% a partir de junho, em uma tentativa de melhorar a rentabilidade do setor e estimular os embarques do cereal.
Analistas avaliam que a medida ainda terá impacto limitado sobre a competitividade do trigo argentino no mercado internacional e pouco altera o cenário de abastecimento para o Brasil.
Segundo o analista da Safras & Mercado, Élcio Bento, a redução de 2 pontos percentuais melhora parcialmente a margem do exportador e o preço recebido pelo produtor, mas ainda não altera de forma significativa a competitividade do trigo argentino no mercado internacional.
De acordo com Bento, considerando os preços atuais, o corte representa cerca de US$ 4,5 por tonelada a serem distribuÃdos ao longo da cadeia entre exportadores e produtores. Ainda assim, ele ressalta que nem todo esse ganho necessariamente chega ao produtor rural.
Isso porque o trigo argentino já aparece caro no mercado externo, enquanto um FOB (traduzido como "Livre a Bordo") mais baixo segue limitado pelas margens negativas.
Bento lembra que, quando o governo reduziu a alÃquota de 9,5% para 7,5% em dezembro, o efeito prático acabou neutralizado pela queda nos preços do trigo e pela valorização cambial.
Já para a nova safra, Bento avalia que o trigo argentino só voltaria a apresentar um FOB dezembro próximo de US$ 240 por tonelada caso houvesse eliminação total dos direitos de exportação.
Com a redução parcial anunciada, o mercado segue caro para exportação, limitando o potencial de queda dos preços FOB.
Para o Brasil, a avaliação permanece praticamente a mesma. A Argentina deve continuar como principal referência para o abastecimento brasileiro, mas o custo de reposição seguirá condicionado à qualidade do produto, à oferta disponÃvel, aos preços internacionais e ao câmbio argentino.
Caso o trigo argentino não atenda totalmente à demanda por produto de melhor padrão panificável, os moinhos brasileiros poderão recorrer a origens mais caras, como o trigo dos Estados Unidos.
Segundo ele, embora a Argentina tenha ampliado sua participação no mercado internacional em 2025, o movimento tende a perder força em 2026, com recuo das exportações para algo próximo de 6 milhões de toneladas e retorno a um patamar mais próximo da normalidade.
Ainda assim, Fernandes ressalta que o principal impacto não está no volume exportado, mas na formação de narrativa de preços.
Ele explica que, mesmo sem competir diretamente em escala com o Brasil, o trigo e os derivados argentinos podem influenciar referências internacionais e balizar as cotações brasileiras.
A China, segundo Fernandes, não deve comprar grandes volumes da Argentina, mas pode usar seus preços como parâmetro de referência para negociações globais.
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