17 de Outubro de 2018 -
 
13/06/2018 - 05h30
13 de Junho: Tradições e simpatias marcam o Dia de Santo Antônio
Santo casamenteiro ganhou fama em Portugal, e desde então tem sido afogado, vendado e colocado de cabeça para baixo em simpatias.
Redação
Agora News
Imagem de Santo Antonio - Foto: Ilustrativa

“Santo Antônio! Santo Antônio! Meu santinho tão querido, quero pedir, em segredo, que me arranje um marido!”. Assim rezam nesta segunda-feira, Dia de Santo Antônio, as mulheres que querem casar.

As imagens do santo casamenteiro, no entanto, não são bem tratadas por aquelas que esperam seus “favores”. Ele costuma ser afogado, vendado, colocado de cabeça para baixo e tudo o que se possa imaginar pelas fiéis que fazem simpatias desejando um marido.

Sua fama de casamenteiro começou por volta de 1790, em Portugal. Em um momento de nervosismo, uma moça pegou a imagem de Santo Antônio e jogou pela janela de sua casa. A imagem acertou a cabeça de um rapaz, que foi atendido pela família da moça. Os dois acabaram se conhecendo, se apaixonaram e casaram.

Em São Paulo, por exemplo, a festa pelo Dia de Santo Antônio é grande. Um grupo de moradores da comunidade do bairro do Pari, na região central da cidade, se reuniu para montar um bolo, que levou três dias para ser feito e pesa cinco toneladas.

As confeiteiras garantem que dá certo. “Se a pessoa comer um pedaço e tiver fé, encontra sim um marido”, diz Célia Vetorazzo, de 72 anos. A coordenadora das confeiteiras, Vanda de Freitas, de 68 anos, ajuda a fazer o bolo há 32 anos e prova que a tradição tem fundamento. “Sempre fui devota de Santo Antônio e conheci meu marido aqui na paróquia. Somos casados há 38 anos e muito felizes.”

Simpatias para a data

– Olhe o Santo Antônio de pertinho e diga que, enquanto ele não lhe arrumar um namorado, ficará na geladeira. E depois ponha-o no congelador.

– Coloque duas agulhas iguais dentro de uma bacia com água contendo duas colheres de açúcar. Se no dia seguinte elas estiverem juntas, isso simboliza que o casamento está próximo.

– Coloque a imagem do santo de cabeça para baixo dentro de um copo contendo água ou cachaça, e prometa deixar o santinho nessa situação até encontrar seu amor.

História do Santo

Nascido em Lisboa, Portugal, em 15 de agosto do ano de 1195, Santo Antônio é conhecido popularmente como santo casamenteiro e defensor dos pobres. Reza a lenda que o santo recebeu essas referências pois certa vez, em Nápoles, havia uma moça cuja família não podia pagar seu dote para se casar. Desesperada, a jovem  ajoelhada aos pés da imagem de santo e se pôs a clamar, logo após  isso, a moça consegue com um comerciante o peso em moedas de prata referente a quantidade do dote e pôde se casar.

Durante a trezena, a igreja ficou repleta de fiéis e a celebração contou com a participação da banda Santa Cecília que abrilhantou ainda mais a cerimônia com louvores durante as missas, que foram ministradas  pelos frades franciscanos.

O dia 13 de junho é considerado o dia maior da festa, neste dia a programação é extensa, com  missas durante todo o dia, bênçãos e distribuição de pães ungidos, com procissão com a imagem do santo.

História de um casal

Lorena diz que nunca fez promessa para casar
(Foto: Catarina Barbosa / G1)

Para a advogada Lorena Aguiar o dia 13 de junho é uma data especial: devota de Santo Antônio, ela sempre aproveita o dia do santo para encontrar amigas católicas em Belém. “Faço a trezena dele desde 2007. A gente curte a época de Santo Antônio porque tem arraial, é muito legal. As amigas também vão, e isso virou nosso encontro anual”, conta.

Mas em 2015 a data religiosa teve um significado especial para a advogada: em vez dos 13 dias de súplicas e do arraial, Lorena comemorou o dia do santo através seu aspecto casamenteiro – é que no dia 13 de junho ela celebra sua união com o advogado Sidney Smith. E o local, obviamente, não poderia ser qualquer um: a dupla se casou no colégio Santo Antônio, em uma capela que foi escolhida com uma ajudinha do acaso.

“Todas as igrejas estavam ocupadas. Eu consegui agendar na igreja do Carmo mas, por conta do atraso de uma reforma, ligaram informando que iam cancelar a reserva e devolver nosso dinheiro. Eu nem queria o dinheiro, só queria casar! Fiquei sem igreja, mas sabia que ia casar de algum jeito – só faltava descobrir onde. Aí vi a capela do colégio, tão bonita, e deu certo. Foi um aparente estresse de não ter igreja, mas deu tão certinho que nos casamos no dia de Santo Antônio, no colégio Santo Antônio”, revela.

Devoção profissional

Segundo a noiva, sua devoção com Santo Antônio nunca foi para arranjar marido – ela nega, pro exemplo, que tenha feito promessas e simpatias antes de conhecer Smith. “Eu nunca pedi pro santinho para casar. No Brasil ele é conhecido como casamenteiro, mas Santo Antônio é muito mais que isso – ele é Santo Antônio de Pádua e de Lisboa. Eu sempre pedi mais questões profissionais do que casamento, tanto que vou me casei com 33 anos. Se estivesse desesperada, acho que já teria casado”, disse.

Mas Santo Antônio conseguiu facilitar o casamento de Lorena através da atuação profissional, como explica o noivo Sidney Smith. “A gente é da área do direito. Eu fui no shopping comprar códigos com um amigo. Quando fui buscar ele em casa ela veio junto de carona. Foi neste dia que eu a conheci”, revela.

“Era véspera de uma prova da defensoria á oito anos atrás. Eu estava estudando com um amigo em comum. A prova era de consulta e faltava comprar uma legislação. Quando ele chegou a gente acabou indo junto para o shopping, mas só nos conhecemos. Aí veio a amizade, mas nada além disso”, lembra Lorena.

Segundo Smith, o relacionamento demorou a acontecer porque os dois estavam namorando outras pessoas. “Não começamos a namorar logo, começamos um ano depois. A gente só era amigo nessa época – aliás, nem amigos: a gente era colega. A gente foi se aproximar mesmo depois que eu terminei um namoro e ela também”, disse.

 

Madrinhas receberam pingente de Santo Antônio
como lembrança da cerimônia de Lorena e
Sidney - (Foto: Catarina Barbosa / G1)

Para Lorena, o namoro foi um presente, e logo no começo da relação o casal já recebeu sinais de que acabaria no altar. “A gente começou a namorar em 28 de março, um dia depois do meu aniversário. Nesta época teve dois casamentos de dois amigos dele. Um deles foi 12 de junho de 2010, a gente havia começado a namorar há menos de 3 meses e eu acabei pegando o buquê quando já tinha passado da meia-noite, já era dia de Santo Antônio. Aí ele falou ‘não tem mais jeito’ e até brincamos com isso”, revela.

Fé contagiante

O apego da noiva pelo santo contagia até mesmo quem não frequenta missas. É o caso de Letícia Azevedo, prima da noiva e madrinha do casamento. “A Lorena sempre me chama para as missas, mas eu nunca vou” destaca Letícia que, por conta desta insistência, chama da noiva pelo simpático apelido de “Carola”.

“Acho legal ela ter essa fé toda, ser devotada ao santo, participar da trezena. Lorena sempre quis casar. Mesmo eu não sendo uma católica praticante, e até mesmo sendo uma católica meio descrente, eu vou pra igreja com muito prazer, pela Lorena e pelo Sidney”, disse a madrinha, que acredita em uma disputa acirrada pelo buquê da noiva – triplamente carregado pela superstição casamenteira: “Pessoalmente eu nunca entro na disputa pelo buquê, mas dessa vez vou ter que ir né?”, brinca a madrinha.

Redação da hisória do casal: 

Ingo Muller e Catarina Barbosa do G1 PADo G1 PA

 

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