28 de Junho de 2017 -
 
06/04/2016 - 15h15
Brasil precisa conectar sistemas de inovação, diz estudo
Agência Brasil

Mesmo com “todos os elementos de um sistema de inovação desenvolvido”, o Brasil ainda encontra dificuldade para interconectá-los e definir uma agenda estratégica de longo prazo para as áreas de educação, pesquisa, produção, inovação e financiamento. A constatação faz parte de estudo apresentado nesta quarta-feira (6) pela economista e PhD ítalo-americana Mariana Mazzucato ao ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Celso Pansera.

A dificuldade de interação foi identificada nas relações entre organizações públicas e privadas e entre elas mesmas. Segundo Mariana, há ineficiências nos sistemas de política e de regulação que precisam de ações legislativas para que possam ser superadas. “Parece não haver confiança entre cada uma dessas partes, aqui no Brasil”, disse a economista.

De acordo com o estudo, intitulado The Brazilian Innovation System: A Mission-Oriented Policy Proposal, o país já conta com um sistema de inovação desenvolvido, que inclui instituições-chave em todos os seus subsistemas. "No entanto, o país ainda não conta com uma agenda estratégica consistente, de longo prazo, que dê coerência às políticas públicas, e que oriente a pesquisa científica e os agentes privados em seus esforços para a inovação", afirmou.

Para a pesquisadora, a dificuldades da população brasileira, hoje, são campo fértil para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras. Uma das recomendações é que os desafios do país devem ser concebidos de forma a contribuir para o combate à desigualdade social. O que, ressaltou, já vinha sendo observado no Brasil, mas acabou sendo prejudicado nos últimos anos, devido à atual crise política.

“Algumas pessoas disseram que este é o pior período pelo qual o país passou nos últimos anos. Para mim, trata-se do melhor momento para crescer e aumentar os investimentos. O momento é difícil, mas, digo a vocês, a razão que há três anos me despertou para o Brasil foi a de ser um dos poucos países que conseguiram conciliar desenvolvimento com crescimento inclusivo. Isso chamou muito a atenção”, disse Mariana Mazzucato, após criticar o que chamou de “obsessão" de países europeus pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) “sem que haja retorno para as pessoas”.

Ela destacou como "característica negativa" a falta de investimentos privados, o que resulta na necessidade de o Estado ter que cumprir tal papel por meio de órgãos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (Bndes). Mas isso, acrescentou, também tem sido prejudicado após tantas denúncias de corrupção.

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